No último dia 25 de Abril, a Sociedade Portuguesa de Beneficência realizou cerimônia em comemoração aos 44 anos da Democracia de Portugal, com ênfase para a deflagração da Revolução dos Cravos que uniu civis e militares na luta pacífica que derrubou o salazarismo, regime ditatorial que durou 41 anos.

Ademir Pestana, presidente da Beneficência, em seu discurso de saudação a lusitanidade, ressaltou a importância da democracia considerando-a a maior conquista de uma nação, razão pela qual a Beneficência Portuguesa de Santos, uma casa de origem portuguesa com certeza, decidiu incluir em seu calendário anual de atividades, essa comemoração para enfatizar o peso da Revolução do Cravos em 25 de abril de 1974, não apenas para Portugal, mas para o mundo.

Confira o discurso

25 de Abril – Dia da Liberdade (Democracia) de Portugal

25 de abril!!!

Por que comemorar essa data?

Ao longo dos anos percebemos que um dos mais importantes e marcantes acontecimento da década de 70, especialmente para os portugueses e seus descendentes espalhados pelo mundo, inclusive aqui em Santos, a restauração da Democracia de Portugal, ocorrida em 25 de abril de 1974 não é tão comemorada, ou pelo menos, destacada pela grande maioria das entidades portuguesas.

Fala-se do Dia de Portugal, que é o mesmo Dia de Camões (10 de julho), Dia da Comunidade luso-brasileira (22 de abril) na mesma data do Descobrimento. Dia da Etnia Portuguesa e por aí vai.

Mas, a democracia é a maior conquista de uma nação e a Beneficência Portuguesa de Santos, uma casa de origem portuguesa com certeza, decidiu não apenas comemorar, mas enfatizar a importância dessa conquista a partir da Revolução do Cravos em 25 de abril de 1974 e ressaltar a lusitanidade, essa qualidade peculiar do que ou de quem é ou de quem descende dos nativos lusitanos.

Todos devemos ter orgulho de nossas origens e quando se fala em lusitanidade, vejo dois países, duas identidades, dois corações batendo com intensidade e respeito à construção da história de cada um. Quando o português Pedro Álvares Cabral descobriu (oficialmente) o Brasil, deu início ao mais significativo resultado da mistura de raças: o povo brasileiro.

A nossa lusitanidade deve ser comemorada diariamente, para que brasileiros e portugueses não esqueçam que os laços que unem as duas nações são tão fortes que é impossível abordar a história do Brasil sem falar nos portugueses. Por isso, as origens e a história em si, marcaram as nossas características com influência e presença dos portugueses.

Ressaltar a democracia de um povo nunca é demais, principalmente quando ela nos diz respeito, e a conquista desse tipo de governo através do qual há que se respeitar a soberania popular é o grande tesouro de uma Nação, cujos guardiões somos nós, o povo.

Por essa razão a partir de hoje, a Beneficência, anualmente celebrará essa data: 25 de abril, porque independentemente de opiniões e posições, a Revolução dos Cravos que explodiu há 44 anos em Lisboa, capital portuguesa, tenha ela sido um golpe militar ou a união da população civil com os militares, a vontade do povo prevalece.

Nesta noite, aqui na Sociedade Portuguesa de Beneficência o democratismo e a lusitanidade, esse sentimento de afinidade com Portugal, a pátria mãe do Brasil, onde estão as minhas raízes, lá na Ilha da Madeira, também as raízes dos colegas de diretoria e de tantas outras pessoas aqui presentes e alhures, são ressaltados para que nossos filhos e netos tenham um olhar mais afetuoso e um aguçado senso de responsabilidade pela preservação de nossa democracia, ou seja, a soberania do povo que se dá por meio dos representantes que nós elegemos.

25 de abril de 1974, também conhecido como o Dia da Liberdade, em Portugal, tem um significado muito grande: um movimento e um símbolo (o cravo) conhecidos mundialmente calcados na Revolução dos Cravos, aqui, já apresentada pelo historiador Flávio Vasques Amoreira, também de origem portuguesa.

O início da história de Portugal em busca da liberdade não difere da maioria das nações que lutaram pela Democracia, mas seu desenrolar e ápice fogem totalmente do contexto e prática vivenciados por outros povos.

O início como acontece com a maior parte das nações que viveram sob o regime totalitarista, os portugueses não mais suportavam as consequências do regime de Antônio Salazar, o salazarismo, que já durava 41 anos, e em 1973, no governo do então presidente Marcelo Caetano, seguidor de Salazar, as Forças Armadas iniciaram o movimento para pôr fim à ditadura, mas o golpe militar falhou.

Em março de 1974, uma nova tentativa de golpe, que mais uma vez falhou, levando mais de 200 militares à prisão. Mas eles não desistiram e nesse mesmo mês, novo golpe foi planejado, dessa vez com o apoio de civis e parte da Imprensa; então, de forma ousada, no dia anterior à revolução através de uma nota no Jornal “República” divulgam a primeira senha para o grande cartada: a nota orientava o povo a ouvir às 22h55, a música “E Depois do Adeus”, sucesso do cantor Paulo de Carvalho, em uma rádio local, a Renascença. A canção marcava o início das operações do Movimento das Forças Armadas (MFA).

Uma hora e meia depois, ou seja, já no dia 25, aos 20 minutos da madrugada, a senha que informava que as operações militares seriam levadas adiante. A senha pela rádio, era a música censurada pelo governo “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso. Era chegado o momento de o povo ir às ruas de Lisboa. Pouco antes do meio dia o clima era tenso com gente de todos os lados chegando ao centro da capital portuguesa, com o presidente convocando os militares e estes se aquartelando em todo o país, tomando rádios e aeroportos.
A explosão teve seu ápice às 19h30, quando os militares dos quartéis dos arredores de Lisboa marcharam em direção à Praça do Comércio, onde estavam todos os Ministérios. O Governo até tentou relutar, mas nem a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) que prendia os que se opunham ao Governo, atendeu ao chamado do presidente.

Nas ruas, o povo que se uniu à manifestação militar, cantava “Grandôla Vila Morena” ficou conhecida como o “Hino da Liberdade” ou “Hino da Revolução”. Diante da massa na praça e dos policiais com armas ornadas com cravos vermelhos em punho, o governo não teve outra opção a não ser dar adeus ao poderio ditador. Deposto o governo da ditadura, o povo comemorou na praça cujo chão ficou vermelho, não de sangue e sim da flor que se tornou símbolo da vitória, o cravo vermelho, embora no país tivesse acontecido uma revolução praticamente sem violência. 3 pessoas morreram no conflito.

O ex-presidente Marcelo Caetano, deposto, fugiu para o Brasil, mas isso é outra história. O que nos traz aqui hoje, é a comemoração dos 44 anos de liberdade de um povo ordeiro e trabalhador que nos deu origem, o português. (Ademir Pestana)

Fotos: SPB e Arquivo

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