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Criada em 1859, a Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, com sede na Av. Bernardino de Campos, 47, na Vila Belmiro, tem o prédio (atual sede), inaugurado em 1926, tombado pelo Condepasa – Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos, como uma referência da Cidade de Santos.

Referência na área médica-hospitalar, a Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, foi criada em 21 de agosto de 1859, por um grupo de 20 portugueses liderados por José Joaquim de Souza Airam Martins. O objetivo era dar assistência aos portugueses sem parentes e sem dinheiro que chegavam ao porto da insalubre Vila de Santos. As constantes epidemias transformaram o Porto de Santos, na primeira metade do Século XIX , em local inóspito, com muitas doenças, afetando toda a Vila. As moléstias se ampliavam aumentando também o número de mortos e de enfermos. Tamanha a quantidade de doentes acometidos de febre amarela, peste bubônica, varíola, tuberculose, malária e outras, entre eles, vários portugueses que chegavam ao Porto sem dinheiro ou parente.

Reunido na casa de Airam Martins, na Rua Direita, 20, atual Rua XV de Novembro, o grupo discutiu, como poderiam os cidadãos portugueses em melhores condições financeiras que a maioria, ajudar os patrícios, e decidiram fundar uma instituição que desse amparo aos imigrantes portugueses e suas famílias. A proposta inicial era dar assistência através de auxílio alimentação, emprego, moradia, etc… Nove anos após a fundação da entidade, as constantes epidemias forçaram a alteração do objetivo inicial (assistência).

bico de pena1º hospital – Assim, em 12 de abril de 1868, graças ao português Antônio Ferreira da Silva e sua esposa, Maria Luísa Ferreira da Silva, que doaram um terreno localizado no bairro do Paquetá, entre as ruas das Flores (atual Amador Bueno) e do Rosário (hoje João Pessoa), aquele grupo liderado por Airam Martins, naturalmente àquela altura, ampliado, deu início ao projeto de construção de um hospital que atendesse a todos, independentemente da origem, uma vez que o atendimento médico-hospitalar da Santa Casa de Misericórdia tornara-se aquém das necessidades.

Dificuldades financeiras fizeram com que a obra fosse inaugurada somente em 6 de janeiro de 1878, dez anos após o início do projeto, ou seja, 19 anos após a fundação da Sociedade.

Desenvolvimento – A Cidade de Santos crescia e em particular a região do Porto onde estava localizado o hospital. Com as obras de expansão dos armazéns da Companhia Docas de Santos e a umidade do local, o bairro Paquetá, especialmente onde estava localizado o hospital, uma área conhecida por “Bexiguentos” porque abrigara uma unidade na qual eram recolhidas vítimas de varíola, tornou-se inadequado para atendimento aos pacientes.

Esses fatores contribuíram para que fosse iniciada uma nova campanha, dessa vez para a mudança do hospital e consequentemente da sede da Sociedade Portuguesa de Beneficência.

O ano era de 1918 e a diretoria, sob a presidência de José da Silva Gomes de Sá, que fora reeleito, discutia o futuro hospital, nomeando uma comissão para os estudos necessários visando um novo local. Alguns diretores e sócios eram contrários a edificação de um novo hospital, entendendo que uma ampla reforma seria o mais propício diante da crise econômica mundial provocada pela 1ª Guerra que deixou em polvorosa toda a Europa com consequências para o mundo. Ocorre que as autoridades santistas, devido a umidade da área dos Bixiguentos não consentiram a reforma do hospital, e a saída seria a construção de novo prédio em outra região.

Neste ínterim, a campanha pró novo hospital ganhava vulto e diante da escassez de recursos do instituição, o sócio benemérito Antonio Marques Bento de Sousa sugeriu que o terreno para a construção do novo hospital deveria ser adquirido pelos portugueses residentes em Santos e oferecido à Beneficência. O autor da proposta, de imediato prontificou-se a doar vultosa quantia. A campanha se espalhou e contou com a participação de empresas nacionais e estrangeiras e de Bancos, instalados na Cidade propiciando a compra de uma quadra de frente para a Avenida do Canal (atual Av. Bernardino de Campos) de propriedade de Belmiro Ribeiro de Morais e Silva. A campanha rendeu à Beneficência quantia superior ao preço do terreno. Por essa razão, as obras começaram imediatamente sob a responsabilidade do engenheiro e escritor português Ricardo Severo. Em 5 de outubro de 1922, foi lançada a pedra fundamental da futura edificação, com obra iniciada a seguir.

Benê bacia do mercadoEm apenas quatro anos, o imenso terreno coberto de mato, deu lugar a um palacete em estilo neocolonial, que até os dias atuais é referência da avenida (Bernardino de Campos), do bairro (Vila Belmiro) e da Cidade de Santos. A inauguração em 1º de dezembro de 1926, foi um acontecimento que reuniu representantes do Governo do Estado de São Paulo, até do Rio de Janeiro, e naturalmente da região, reunindo autoridades civis, militares e eclesiásticas.

A Beneficência Portuguesa além de referência arquitetônica passou a ser também, dividindo com a Santa Casa de Misericórdia de Santos, a referência no atendimento médico-hospitalar da região. Nesse mais de século e meio (156 anos), Santos cresceu, se desenvolveu em todas as áreas, tendo em consequência, registrado o aumento da população e a Beneficência para acompanhar esse desenvolvimento, também se modernizou e teve sua atuação na área médico-hospitalar ampliada, com a participação de especialistas amparados com recursos provenientes de tecnologia de ponta que forma o acervo de equipamentos à disposição em benefício do paciente.

Expansão – Para acompanhar o crescimento da cidade e região, a Beneficência inaugurou em 1990, o Hospital Santa Clara, anexo ao Hospital Santo Antônio (primeiro prédio). O ‘Santa Clara’ abriga diversos setores, entre eles os CTIs e Pronto Socorro, constituindo-se em importante contribuição aos associados e à comunidade.

Tombamento – Em 2012, o palacete neocolonial da Beneficência, com fachada para Av. Bernardino de Campos, foi tombado pelo Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos). Com fachada e setores internos do Hospital Santo Antônio, inaugurado em 1926 (edifício que abriga entre outras áreas, a administrativa) tombados, o prédio da Beneficência Portuguesa de Santos que mantém suas características originais, tem sua identidade e características arquitetônicas preservadas, garantido às futuras gerações, a presença de tão importante instituição, criada e mantida sob égide da solidariedade, uma das marcas de sua origem portuguesa.

Alvo de pesquisa constante por parte de estudantes e profissionais das mais diferentes áreas, especialmente de Arquitetura, Engenharia, História, Fotografia e Pesquisa, o prédio tombado da Beneficência, mantém a Capela em homenagem a Santo Antônio, padroeiro da instituição, um belíssimo exemplar da religiosidade portuguesa, com imagens religiosas, vitraus, lustres e piso originais trazidos de Portugal preservados. A capela foi inaugurada em 1930 e tem, a exemplo de outros ambientes do edifício tombado, servido de cenário para estudos fotográficos, comerciais e artigos de moda, perfumes, documentários e filmes (longa e curta metragem).

Zelando pela preservação de parte da história de Santos, da Baixada Santista, do Estado de São Paulo e consequentemente do Brasil e de sua origem portuguesa, a Beneficência é repositório de arte, história e cultura de uma sociedade em constante desenvolvimento, sem abrir mão de seu passado registrado em livros (um deles assinado pelo Imperador D. Pedro II, navegadores, príncipes, bispos e governadores), objetos e história oral que assinalam passado e presente de lutas em busca de melhor atendimento àqueles que buscam o complexo hospitalar para tratar de males diversos do físico (atendimento médico-hospitalar) e da alma (paz espiritual encontrada na Capela Santo Antônio e nos frondosos jardins, um deles (o fronteiriço à Av. Bernardino de Campos), uma das maiores áreas verdes do centro urbano da Cidade, com várias espécies de plantas e árvores, algumas delas (típicas da Mata Atlântica) em extinção.